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Licenciada em Serviço Social pelo Instituto
Superior de Serviço Social de Lisboa. Desenvolveu trabalho comunitário num
bairro da Amadora onde trabalhou com jovens e crianças filhos de imigrantes.
Orientou diversos estágios do Curso de Serviço Social em colaboração com o
ISSS de Lisboa.
Esteve envolvida na organização de encontros de jovens europeus onde as
questões como a aprendizagem interculural e o racismo foram amplamente
debatidas (Finlândia, Roménia, Portugal e Itália). |

Maus-tratos a menores
por Liliana Beça
PROGRAMA
ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
- 1874 - Mary Ellen, o caso que abalou a opinião pública
- XVI Congresso de medicina legal em Paris
- 1946 – Caffey publica investigação
- 1960 – Primeiro estudo sobre maus tratos por Ambroise
Tardieu
- 1960 – Altman e Smith relevam a importância da prevenção
- 1961 – Henry Kemp e a definição The Battered Child
Syndrome
- 1963 – Fontana e a denominação Criança Maltratada
- 1965 – Child Abuse
- 1969 – Gil publica estudo (importância da sociedade e de
instituições na violência infligida a menores)
- 1972 – Síndrome de Tardieu em vez da síndrome da criança
maltratada
- 1985 – Wolley e Evans referem a importância do meio
Primeiras teorias sobre os maus-tratos (Kemp) demasiado
centradas em aspectos intra-individuais.
Década 70 – mais ênfase em
aspectos contextuais (individuo> condições económicas> sociais)
Últimos
anos – surge a teoria ecossistémica, procura integrar os aspectos psiquiátricos
e psicológicos como os sociais, culturais e ambientais.
Modelo centrado na criança
Modelo psiquiátrico e psicológico
TIPOS DE MAUS-TRATOS
-
Mau trato intra-uterino
-
Negligencia intra-uterina
-
Consumo de álcool
-
Síndrome alcoólica fetal
-
Consumo de tabaco
-
Consumo de medicamentos
-
Consumo de drogas
-
Maus-tratos físicos
-
Síndrome de criança espancada e infanticídio
DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME DE CRIANÇA MALTRATADA
Tipologia das lesões
- 1. Equimoses (pisaduras)
- 2. Feridas
- 3. Queimaduras
- 4. Alopécia
Fraturas
- 1. Extremidades
- 2. Lesões raquideas
- 3. Osso do nariz
- 4. Costelas
Lesões oculares
Lesões viscerais
- 1. Contusões torácicas
- 2. lesões abdominais
Sequelas das lesões
Maus-tratos alimentares
Desnutrição
Envenenamento
Sindroma de Munchauser por poderes
Abandono,
mendicidade e mau trato emocional
O abuso sexual em crianças
- Incesto Pai – Filha
- Incesto Mãe – Filho
- Incesto Pai – Filho
- Incesto irmão – irmã
- Abuso sexual fora da família
FatORES DE RISCO
- Alcoolismo e toxicodependência
- Transmissão intergeracional de abuso infantil
- Carências relacionadas com a função materna
- Carências relacionadas com a função paterna
- A Família e as perturbações relacionadas com a sua
organização e hierarquias internas
Duarte e Arboledo (1997)
- A organização das nossas sociedades gera desigualdades
sociais, descriminação e exclusão social, e que favorece os maus-tratos das
crianças
- A Sociedade de consumo como potenciadora dos maus-tratos
infantis
- Influência cultural
- Perturbações nas interações entre a família e o meio
ambiente
- O stress familiar
- Aceitação social da violência
Lamas (1997)
- O problema deve ser visto como uma solicitação do conjunto em
dificuldade e não só da pessoa que o expressa; a previsão dos passos a dar
deverá basear-se numa visão global e interaccional dos fenómenos, procurando
entender os jogos relacionais.
- Conduzir a entrevista de forma que a família entenda o
seu papel central
- Recolher informação útil
- Preparar o envolvimento continuado da família
- Demonstrar uma atitude de respeito
- Exploração de redes de apoio
- Quem são as pessoas significativas na vida dos membros da
família capazes de colaborar efectivamente em alturas difíceis
- Acalmar emoções
- Potenciar o espaço cognitivo
- Colocar freio à impulsividade
PREVENÇÃO DE MAUS-TRATOS
- Identificar as crianças e pais vulneráveis
- Difusão em grande escala do conhecimento das
caraterísticas próprias do mau trato infantil
- Uma vez detectada e diagnosticada a criança vitima de
maus-tratos iniciar um tratamento para curar as lesões físicas e tratar o
seu equilíbrio emocional
- É imprescindível tratar toda a família
- Não acusar os pais, uma vez que um confronto prematuro
conduz a interferências graves que dificultam um futuro tratamento familiar,
enquanto a sua cooperação é facilmente conseguido no contexto de uma ajuda
eficaz
AVALIAR E INTERVIR EM FAMÍLIAS MULTI-VIOLENTAS
- Deve ser feita uma intervenção multi-dimensional
- Intervenção social em rede
- Adequada avaliação da família
- Exploração das dificuldades sentidas no relacionamento
com a criança, dos comportamentos problemáticos desta e dos métodos
educativos preferenciais de cada família e/ou progenitor
- E existência de episódios de descontrolo no contexto
disciplinar ou de arrependimento em relação a condutas assumidas na relação
educativa
- Questões sobre a percepção que os outros (família
alargada, vizinhos…) têm deste comportamento
AS ENTREVISTAS AOS PAIS
- 1- Avaliação do ajustamento geral
- 2- Avaliação dos sentimentos e percepção em relação a
cada elemento da família
- 3- Avaliação da vivência pessoal das experiências de
violência
USO DA OBSERVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA AVALIATIVA
- 1– Observação em meio natural
- 2- Observação em situação espontânea
- 3- Observação programada
UM MODELO DE INTERVENÇÃO MULTI-ETÁPICA COM FAMÍLIAS MAL TRATANTES
- Programas multi-modais, dirigidas em simultâneo (ou
sequencialmente) a diversos elementos do agregado em causa
- A necessidade de por termo à violência e de garantir a
segurança das vitimas
- Ênfase na contratualização
- Intervenção com a família
Mobilização dos recursos comunitários e institucionais
1- Criar um programa de intervenção que visa aumentar o suporte social
2– Reduzir o isolamento social das famílias abusivas
3- Emparelhar
pais de risco (pais pela primeira vez) com pais mais experientes. Intervenção
mediante pessoa de referência.
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA
Terapia familiar
Forma de reorganização dos padrões de interação
e modificação das condutas abusivas
Intervenção com os pais
Ênfase nos défices destas famílias
Trabalho muito intensivo, planeado e que combine modificações a nível
cognitivo com o treino ativo de competências.
1 – Programas de educação
parental;
2- Programas destinados à redução da atividade emocional que desencadeia os
episódios de agressão;
3 - Treino de competências.
Redução da ativação emocional e das cognições distorcidas a ela
associadas.
Treino de auto-instruções
Treino de relaxamento
Treino de competências de vida
Intervenção pais – criança
Treino de competências educativas parentais
Ciclo aversivo
A estabilidade coerciva atribui-se ao fato de estas interações serem
caraterizadas por um reforço negativo intermitente.
À medida que este
padrão de interação se estabiliza, torna-se um repertório quase único de
relacionamento entre a criança e os pais.
A ameaça e a agressão passam a ser competências de relacionamento aceitáveis
e funcionais
Ensinar aos pais estratégias alternativas para controlar o
comportamento infantil disfuncional.
Modelagem
Ensino
progressivo seguido de feed-back
Reduzir o recurso à agressão física como estratégia educativa
Modificar o clima emocional da família.
Intervenção conjugal
Escassez de recursos para a intervenção com ofensores
Intervenção com a criança
Protecção imediata da criança e a
eventual necessidade de a retirar do ambiente maltratante.
MODALIDADE DE
INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA COM A CRIANÇA
1- Estimulação desenvolvimental
2- Intervenção através de
pares
3- Tratamento de perturbações decorrentes dos maus-tratos
4- Psicoterapia centrada na integração das experiências traumáticas.
Gofman (1961) define instituição “um lugar de residência e de trabalho
onde grande número de indivíduos, colocados na mesma situação, cortados do mundo
exterior por um período relativamente longo, levam em conjunto uma vida fechada
cujas modalidades são explicitas e minuciosamente reguladas”.
Às instituições cabe: A promoção dos direitos
Protecção das crianças Proporcionando-lhes as condições que permitam
proteger e promover a sua segurança, saúde, formação, educação, bem-estar
Desenvolvimento integral e garantindo a recuperação física e psicológica.
CINCO TIPOS DE INSTITUIÇÕES TOTAIS
1 – Instituições com
atendimento e prestação de cuidados a indivíduos por si só incapazes de
autonomia;
2 – Instituições dimensionadas para o atendimento de pessoas
que representam algum problema para a comunidade;
3 – Instituições para
indivíduos perigosos para a comunidade, porque agressivos (prisões);
4 –
Instituições educativas e de formação;
5 – Instituições de recolhimento e religiosas.
A instituição surge de forma proeminente no séc. XVIII;
Proteger a pessoa normal da não normal;
Tranquilizar a
consciência coletiva;
A dimensão assistencial alarga-se também à protecção das crianças.
Há três tipos de intervenção possíveis segundo Furniss (1992)
1 – A intervenção Primária Punitiva
2 – A intervenção Primária
Protectora da Criança
3 – A prevenção Primária terapêutica
Paradoxo da institucionalização
O objectivo do internamento é
proteger a criança Resultado pode traduzir acréscimo dos danos nas crianças.
Há aspectos intimamente associados ao processo de institucionalização:
a) Sentimento de punição
b) Demissão/diminuição da responsabilidade
familiar: a função do pai foi, de certo modo, desqualificada, para não dizer
desparternalizada.
c) Estigmatização e descriminação social.Construção
de estereótipos. Desenvolvimento de preconceitos por parte da sociedade.
Processo complexo de etiquetagem.
d) Função de controlo social/reprodução
de desigualdades sociais.
AS POTENCIALIDADES DAS INSTITUIÇÕES PARA MENORES VITIMAS DE MALTRATO
Caraterísticas que estas instituições devem incrementar, no sentido de
criarem condições de desenvolvimento e de realização pessoal, superando deste
modo os contextos desfavoráveis e as próprias estruturas pessoais fragilizadas.
Securizante, Contentora de angústias Promotora de desenvolvimento
pessoal e Construção da identidade.
Securizante: Os contextos familiares caraterizam-se pela desorganização,
instabilidade e imprevisibilidade. Torna-os instáveis, favorece a explosão de
violência.
As instituições devem-se definir pela organização, estabilidade e
segurança. A instituição deve ser calorosa.
Contentora de angústias:
As atitudes de confiança e de segurança devem ser articuladas com firmeza. Os
adultos devem privilegiar o papel fulcral da informação reduzindo desta forma a
instabilidade e imprevisibilidade ajudando o menor a construir uma imagem mais
organizada, estável e lógica da realidade.
Os adultos devem-se pautar-se
pela congruência e coerência. A instituição deve promover a expressão de
sentimentos positivos.
Favorece a construção da identidade:
A instituição deve fornecer condições que possibilitem a (re)construção do
eu.
AS DESVANTAGENS E OS PROBLEMAS DA INSTITUCIONALIZAÇÃO
Os estudos com menores em institucionalização apontam para sintomas que
poderão pôr em causa os resultados efectivos dessa institucionalização.
Demonstraram níveis significativos de depressão nas crianças
institucionalizadas.
- Atraso no desenvolvimento físico, psicomotor e
intelectual;
- Problemas de vinculação;
- Problemas graves de comportamento e
emocionais.
Estudos salientam o efeito positivo na integração social e profissional,
no entanto, no seu mundo interior ressoa intensamente o profundo percurso de
perda e separação vivido na infância.
Níveis elevados na Escala de
ansiedade.
No teste Aperceptivo de Roberts para crianças, os temas das histórias
versavam sempre separações, encontros e reencontros familiares, envoltos em
tristeza e ansiedade.
Índices reduzidos de auto-estima, com discursos de
auto-culpabilizaçao e sentimentos de incompetência.
Os menores
internados em instituições sentem o afastamento da família.
O internamento é longe da zona de origem.
O internamento, ao
promover a desresponsabilização das famílias, leva a que estas se afastem do
menor, desenvolvendo neste o sentimento de não ser importante e de ser
esquecido.
A regulamentação de espaços e tempos revestem-se de uma
dimensão negativa, ao atingirem “os mais ínfimos pormenores” da vida dos
menores, correndo o risco de os despojar da sua própria individualidade.
Apenas adia a responsabilidade, criando-lhe isolamento e exclusão e este ato e
de uma forma geral sentida pela criança como uma punição.
A instituição encontra-se socialmente isolada.
Não basta criar
instituições, que a sociedade deixa solitárias, com o objectivo difícil
(impossível) de substituir a família, e ficar de consciência tranquila.
A atenção prestada a qualificação dos dispositivos institucionais para
crianças e jovens insere-se no movimento mais vasto de transformação das
respostas sociais para infância envolvendo seis linhas de evolução e mudança:
1- O desenvolvimento das perspectivas ecológicas, no quadro das quais a
criança é compreendida em contexto;
2- O reordenamento das respostas
sociais;
3- O decréscimo das crianças institucionalizadas;
4- O
desenvolvimento de outras opções em alternativa ao acolhimento residencial;
5- A evolução das caraterísticas das populações atendidas;
6- A profissionalização crescente dos serviços.

CONSULTAR OS TRABALHOS
SOBRE MAUS TRATOS A MENORES PELOS ALUNOS DO CEM
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